Hoje, o assunto que mais corre na política é a Petrobrás.
Isso se deve, de acordo com denúncias, por ela estar sendo usada como ferramenta de corrupção de forma sistemática há beneficiar um partido desde 2004.
Entretanto, mesmo antes disso, já havia sinais de desonestidade apesar de ser de forma mais pontual. Porém, isso não isenta o fato que, no Brasil, empresas estatais são vítimas de ineficiência, indicações políticas arbitrárias, corrupção etc.
Muito se lê em matérias em blogs, sendo muitos contra a privatização e alguns poucos a favor. Mas qual o maior argumento dos que se opõem a privatização? Na maioria dos casos temos dois públicos maiores: os saudosistas, geralmente com mais idade, que tem orgulho da Petrobrás ter obtido um porte tão grande entre empresas do mundo; e os militantes de esquerda, que acreditam que o governo deve ser responsável por controlar tudo no país para atingir a "igualdade" social do povo.
Como já disse antes em texto anterior, sou de direita e sou liberal; então, vamos ver se a esquerda vai entender os possíveis motivos para se privatizar a Petrobrás.
Essa ideia de "o petróleo é nosso" já está um pouco fora de moda. Se orgulhar por recursos naturais como se isso tornasse o Brasil mais forte ou independente é ignorância. Claro que sempre é possível acreditar nos partidos e no país como sendo times de futebol. Então sempre será o meu contra o dele. "O Brasil tem mais, então é melhor". "Nós temos e eles não". Mas no fim, como percebido, se levarmos em conta países com grande quantidade de recursos naturais e outros com quase nenhum, vê-se que geralmente o do primeiro caso, são países pobres e desestruturados (como Rússia, Venezuela, Nigéria e Irã), enquanto no segundo caso, países com grande desenvolvimento e importadores (como Japão, Inglaterra e Estados Unidos).
Em matéria ao site "O Globo" João Luiz Mauad fala a respeito da privatização da Petrobrás considerando esses pontos.
"Os resultados mostram que, quanto mais desenvolvidas são as nações, menos elas dependem dos recursos naturais e mais utilizam os chamados capitais intangíveis. A comparação dos índices verificados entre os dez primeiros e os dez últimos do ranking analisado é bastante ilustrativa. Enquanto a participação dos capitais naturais no produto total de nove dos dez países mais ricos varia entre zero e 3% (a exceção é a Noruega, com 12%), nos países mais pobres ela nunca é inferior a 25%. Por outro lado, os capitais intangíveis têm um peso médio superior a 80% nas economias avançadas, enquanto navegam entre 40 e 60% na maioria dos dez países mais pobres. De toda a riqueza produzida no mundo, o estudo estimou em apenas 5% a contribuição dos capitais naturais, contra 17% dos capitais produtivos e nada menos que 77% dos intangíveis.
Esses resultados comprovam que não existe sequer correlação positiva entre desenvolvimento econômico e disponibilidade de recursos naturais. Não é à toa que nações como Japão, Cingapura e Suíça, por exemplo, localizados em regiões geologicamente pobres e geograficamente inóspitas, obtêm resultados econômicos bem melhores que muitos países com relativa abundância de riquezas naturais, como Nigéria, Brasil e Venezuela.
Se o governo estivesse realmente interessado no progresso e nos interesses do povo, deixaria a iniciativa privada cuidar da Petrobras e se concentraria em melhorar as nossas instituições e incrementar o capital humano."
Mesmo com esses dados, se avançar-se em pesquisas, notar-se-á que o "petróleo ser nosso" e o Brasil atingir independência na sua fabricação, não reverte ao cidadão benefícios, ao contrário do que vemos ter ocorrido com o partido político atual. De fato, o petróleo não é nosso, afinal, quantos brasileiros possuem ação da Petrobrás?
Na maioria dos países que possuem o sistema de distribuição de gás e combustível (e outros) privatizado, consegue oferecer aos seus cidadãos um produto de melhor qualidade, mais barato, com maior oferta e sem corrupção. Se pensar por alto, o Brasil, ao invés de perdido bilhões de reais em valores que poderiam ser investidos para a melhoria de infra estrutura, teria educação (que este ano teve diminuição de investimento), saúde e segurança, assim como mudança e ampliações de projetos sociais; teríamos ganhos equivalentes ou até maiores em impostos e ainda a manutenção do controle por grupos nacionais se assim desejar o governo.
Alguns jornalistas defendem que a Petrobrás só está ruim devido ao desinteresse dos partidos anteriores ao PT terem-na sucateado para tentativa de privatização, e que o PT foi o partido que fez a Petrobrás voltar a ser competitiva. Se esquecermos a corrupção e a queda vertiginosa devidas à falta de transparência do fim de 2014 para começo de 2015 e todo o resto desde 2004, mesmo assim a Petrobrás é uma empresa ineficiente.
Se colocarmos em paralelo, uma das grandes empresas que administram petróleo e gás americanas, a Exxon Mobil, que faz parte de um país importador, e a Petrobrás, que faz parte de um país com grande quantidade de recursos naturais e auto suficiente, veremos que o lucro e o valor de mercado são completamente díspares.
- Petrobrás (Público):
Lucro líquido (de 2010 melhor do últimos 8 anos): R$ 35,19 bilhões
Valor de mercado (2010): R$ 380 bilhões
Lucro líquido (2013): R$ 23,57 bilhões
Valor de mercado (2014): R$ 179 bilhões
Produção de barril de petróleo/dia: 700 mil
Empregados: 80 mil
Petrobrás tinha uma dívida de R$ 249 bilhões em 2013 (Não dá para criticar depois de vendê-la por preço abaixo do que se gostaria)
- Exxon Mobile (Privado):
Lucro líquido (2014): US$ 32,58 bilhões (ou R$ 91,22 bilhões)
Valor de mercado (2014): US$ 380 bilhões (ou R$ 1,064 trilhão)
Produção de barril de petróleo/dia: 5,3 milhões.
Empregados: 75 mil.
Como diz Luís Carlos Mendonça de Barros, ex-Ministro da Comunicação e ex-Presidente do BNDES:
"É preciso tirar da Petrobrás a missão de salvar a economia".